
Sentia um vento levemente frio entrando pela minha janela
totalmente aberta. Mesmo estando com um pouco de frio, eu me
recusava a colocar um agasalho. Naquele momento eu estava sentada
em minha cama e abraçava meus joelhos, meu olhar estava fixado nas
belas estrelas que brilhavam intensamente no céu escuro. Fiquei
mais alguns minutos nessa posição e quando finalmente me levantei
para colocar um agasalho, a campainha toca. Esperei mais alguns
minutos, ninguém havia atendido. Sem outra escolha, decidi colocar
a preguiça de lado e desci.
Enquanto descia lentamente, percebi que eu não conhecia muito bem
aquela casa. Era totalmente diferente da minha, só o quarto que era
parecido. Aquela era uma casa de dois andares, um tanto quanto
luxuosa e espaçosa. Na minha pequena caminhada pude perceber alguns
quartos, salas e vasos de plantas espalhados por todo o andar.
Quando desci as escadas pude ver uma cozinha ao meu lado direito e
uma sala ao meu lado esquerdo.
A cozinha era com pisos claros, as paredes também claras e os
móveis cor tabaco. A geladeira, o fogão e etc pareciam ser tudo de
primeira. Lá também havia alguns vasos de plantas. A sala tinha
pisos e paredes brancos, o sofá era em couro preto, a estante era
cor tabaco. Na estante tinha fotos, um aparelho de DVD, uma
televisão grande e um Home Theater. E também tinha duas portinhas
que guardavam algo. Tinha um vaso de planta em casa lado da
estante... Só não digo mais, pois não lembro.
Finalmente cheguei na porta e quando abri vi a pessoa mais querida
e especial para mim. Seu nome era Daniel e ele era meu amigo
virtual até algum tempo atrás, e naquele momento estava bem na
minha frente. Naquele momento a única coisa que eu consegui fazer
foi abraçá-lo bem forte, abraçá-lo como se o mundo fosse acabar e
após alguns minutos me separei dele. Uma alegria enorme tomou conta
de mim e eu não conseguia deixar de sorrir. Entretanto esta alegria
durou pouco, ele teve de partir e só me visitou para avisar que
havia chegado na cidade e que no dia seguinte poderíamos conversar
horas e horas.
Nos abraçamos novamente e ele foi embora. Fechei a porta com um
sorriso de orelha a orelha e me preparei para subir novamente.
Quando iria começar a subir as escadas, percebi que a televisão
estava ligada sem ninguém assistir. Soltei um pequeno suspiro e me
aproximei lentamente. Pude perceber que havia alguém deitado no
sofá e assim que vi me aproximei da pessoa para ver seu rosto.
Seu rosto estava perdido entre os seus cabelos escuros, pude ouvir
um pequeno ronco e tive uma grande vontade de rir bem alto. Após
conseguir controlar a vontade de rir, afastei seus cabelos e
percebi que dois olhos negros e sonolentos me observavam. A pessoa
me perguntou o que eu queria, eu disse que nada e pedir desculpas
por acordá-lo. Ele se sentou e se espreguiçou, em seguida tirou
seus cabelos da face e eu finalmente consegui ver seu rosto.
Era ele. O homem que eu amava estava bem na minha frente. Naquele momento eu havia esquecido de tudo e meu corpo congelou, senti minha face ficar um pouco quente e meu coração parecia explodir a qualquer momento. Eu queria gritar, abraçá-lo e dizer que o amava com todas as forças, mas eu não conseguia. Não conseguia me mover, não consegui expressar qualquer reação. E ele me olhava curioso. Perguntou o que havia acontecido e eu apenas respondi que nada, em seguida perguntou porque eu estava daquele jeito tão estranho, eu respondi que não havia acontecido nada.
Ainda me olhava curioso quando se levantou e me olhou nos olhos como se soubesse que eu estava mentindo. E quando eu menos esperava, ele deu um sorriso e me abraçou com delicadeza, como se eu fosse quebrar ou desmanchar. O abracei também e me senti de um jeito que eu nunca havia me sentido antes.
Só que minha vista escureceu de repente e quando percebo, eu
estou abraçada no meu travesseiro, vestindo o meu pijama com
patinhos desenhados e meus cabelos completamente bagunçados. Fiz
uma careta e me espreguicei. Percebi uma pequena carta e nela
estava escrito o seguinte:
"Gisele, como você estava dormindo tão bem, resolvi não te
acordar. O pijama do patinho ficou muito bem em você e vê se prenda
o cabelo na próxima vez. Peço também que se o travesseiro estiver
babado que você troque a fronha. Com amor, mamãe".








